29.1.13

Este texto foi para o Facebook, mas creio que aqui tem um pouquinho mais de perenidade...
(29/01/2013)




Há quem, realmente, não precise,
(porque, concedo, há aqueles que são realmente felizes).

Há quem, mesmo precisando, não devam,
(digo, porque o mundo é melhor se não o fizerem).

Há quem nunca chegue a sabê-lo,
(o que não é ruim pois, por vezes, a ignorância é uma bênção)

Há os que chegam a entrar em contato, vez ou outra,
(o que, na maioria das vezes, passa desapercebido, pois a vida é uma sucessão ininterrupta e inexorável de eventos).

Há os que realmente chegam a saber, mas lhes falta repertório.
(o que é triste e, infelizmente, muito comum,
e para esses, o mundo oferece uma série de maus paliativos).

Há os que sabem de tudo isso, mas lhes falta coragem,
de saltar sem saber aonde vão pousar,
(e, pusilânimes, vivem a vida apertando o coração e os olhos por sinais no horizonte)

Há aqueles para quem, depois de um tempo, há um pouco de coragem e uma consciência mais que precária.

E dentre estes, os que não se escondem em limites imaginários,
E dentre estes, os que desafiam os limites reais,
E dentre estes, os que acreditam que felicidade é uma opção,
E dentre estes, os que aceitam que mudança leva tempo, e nunca é completa,
E dentre estes, os que não temem a noite escura da alma,
E dentre estes, aqueles que, finalmente, ousam mudar.

Para esses, boa sorte!

22.5.12

OUVIR ESTRELAS
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!"
E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto, Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
 E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

 (Olavo Bilac, Poesias, Via-Láctea, 1888.)

e o contraponto...

Divina Comédia Humana
Belchior



Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol
Quando você entrou em mim como um Sol no quintal
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou ser feliz direito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um encontro casual
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou viver satisfeito
Porque o amor é uma coisa mais profunda que um transa sensual
Deixando a profundidade de lado
Eu quero é ficar colado à pele dela noite e dia
Fazendo tudo de novo e dizendo sim à paixão morando na filosofia
Eu quero gozar no seu céu, pode ser no seu inferno
Viver a divina comédia humana onde nada é eterno
Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso
Eu vos direi no entanto:
Enquanto houver espaço, corpo e tempo e algum modo de dizer não
Eu canto


11.2.11

Discurso que fiz aos formandos de 2010.2 na Biblioteconomia da UFMG ontem, como paraninfo.

Vou sentir saudades desta turma...

Belo Horizonte,  10/02/2011
 
Caros colegas componentes da mesa, caros alunos, familiares, amigos,
 
Em primeiro lugar, eu queria agradecer por ter sido escolhido para ser vosso paraninfo, e pela aceitação da indicação por aqueles que não tiveram aula comigo.
Eu estou muito feliz de estar aqui hoje com vocês.
 
Não sei se vocês têm ideia de como se sente um professor, que também é pai, em relação a vocês, tão diferentes, interessantes, cada um contendo um mundo em si. Como todo pai, e como também  os professores, vislumbramos para cada um de vocês – a cada fala, cada olhar, em cada dia - um longo caminho à frente.
Vamos ajustando, aumentando nossas expectativas, na medida em que convivemos com as turmas e, nesta convivência, somos cada vez mais cativados por estes – me perdoem os pais – filhos emprestados, que chegam tarde e se vão cedo, para alçarem novos voos.
 
Porque o primeiro curso na Universidade é uma espécie de “rito de passagem”; acadêmico, mas também psicológico, social e espiritual. Nestes quatro ou cinco anos vocês substituíram aos poucos uma vida sob a tutela de vossos pais, sem grandes decisões a tomar, sem grandes consequências pelas escolhas, por uma nova fase em que são responsáveis pelo vosso destino. Surgem mil dúvidas, como:
 
Com o que vão trabalhar?
Aonde vão morar?
Com quem vão escolher viver?
 
Relembrando nossa própria juventude, nós, professores, tentamos imaginar como vão construir seus caminhos, quais decisões vão tomar, sendo que cada uma muda, potencialmente, todo o caminho para frente. Nossas questões são ligeiramente diferentes:
 
Será que serão felizes?
Como vão usar aquilo que aprenderam?
Será que poderíamos ter sido melhores, como professores?
 
De um lado, surge uma imensa vontade de dar mil conselhos; de condensar a experiência de nossas vidas e passar para vocês em poucos minutos... mas isso é inútil! Uma das coisas que demoramos a aprender, e o fizemos a duras penas, é que não há fórmula para o sucesso. Não há nem mesmo uma definição do que seja “sucesso”... A vida é tão diversa, tão multifacetada e tão cheia de surpresas, que eu só posso sentir, mais uma vez, e junto a vocês, aquele friozinho na espinha, aquela excitação de virar as páginas de um novo capítulo de um livro bom.
 
Talvez eu possa dizer algumas coisas. Poucas coisas. Aquelas que persistiram como verdades para mim, ao longo de muito tempo:
 
1) A primeira é que o futuro não está determinado. Temos, a todo momento, a capacidade de reescrevê-lo e, para isso, é fundamental manter uma atitude flexível e adaptável diante da vida. Falando em termos profissionais, isso é especialmente verdadeiro no caso da Biblioteconomia que, como as outras áreas, ou talvez mais do que as outras, está sendo afetada sobremaneira pelas mudanças e convergências, tecnológicas e sociais. Estamos assistindo a um redesenho completo dos saberes, dos processos, dos materiais e da forma como as pessoas registram e consomem informações. Isso tem consequências para os profissionais, “guardiões da aventura intelectual humana”. Acolham a necessidade de aprender sempre, e fiquem “antenados” para o que acontece às suas voltas.
 
2) Segundo: enquanto o mundo muda constantemente, o que lhes dará segurança é o reconhecimento do imutável dentro de si; da essência do que vocês são. Seus valores, suas referências, seus princípios. Estes, que são desenvolvidos no seio da família, os ajudarão a lidar com as decisões cotidianas sobre como devem agir e o que precisam aprender. Num mundo aonde a quantidade de estímulos aumenta vertiginosamente, é muito importante cuidar desta essência para domar a angústia sobre o desconhecido. Como disse Guimarães Rosa, “Viver é muito perigoso”.
 
3) Em terceiro, eu queria que acreditassem que podem ser grandes, e que realmente podem fazer a diferença. A história nos mostra que o maior limite para aquilo que alguém pode ser ou fazer é exatamente a capacidade que têm de acreditar naquilo a que se propõem. Em Mateus, Jesus nos disse “Sejam simples como a pomba, e prudentes como a serpente”. Se eu pudesse acrescentar algo, diria “sejam ousados, quando puderem”. A área da Biblioteconomia traz oportunidades fantásticas, mas elas demandam uma grande dose de empreendedorismo, preparação e criatividade. Sejam os agentes desta mudança.
 
4) Em quarto, e por último, queria dizê-los para – sempre – buscarem a verdade. Tudo o que eu digo são só palavras, que podem fazer sentido – ou não – com o tempo. Mas vocês devem ter como hábito a busca das respostas para as questões mais fundamentais de suas vidas, sem aceitar fórmulas e verdades alheias que não valem para si. O mais difícil é diferenciar aquilo que se pode aprender com os outros, da aceitação pouco crítica do que vale somente para os outros.
 
Para terminar este discurso, queria lembrar do que disse Cora Coralina, “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”... ou Beto Guedes, que disse: “A lição sabemos de cor, só nos resta aprender”. O cognitivo anda de mãos dadas com o afetivo, e nosso conhecimento tem que ser temperado com o nosso coração.
 
Foi  um privilégio ter estado com vocês em tantas aulas, em tantas situações, assim como estar aqui hoje. Vocês me ensinaram coisas que trago em mim, que me ajudam a definir o que eu sou, e por isso, mais uma vez, eu queria dizer: obrigado.
 
Desejo-lhes sucesso, e que este sucesso tenha como medida a felicidade.
Parabéns pelo dia de hoje. Comemorem, pois vocês merecem.
 
Um abraço a todos,
Renato

22.5.10

Eu estou bem em uma fase "Encontros e Despedidas"

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida

16.5.10

Texto muito sensível, que recebi de uma amiga... republico aqui, sem comentá-lo.

"Fui amada liquidamente. Quem já não foi? Mas eu não sou de amores líquidos. Não sou simplesmente uma “colecionadora” de experiências, pois amadureço meus sentimentos e planos, apesar de conseguir separar tudo isso de vivências frívolas que eventualmente preenchem meu tempo. Sou de amores quase eternos, que muitas vezes se convertem da paixão à amizade ou do ódio à compaixão. Só não consigo sentir nada - sempre me posiciono em relação às pessoas com quem convivo. Me ame ou me odeie, mas não me ignore.

Hoje ouvi que a geração dos anos 80 em diante sofre desse mal: dos amores líquidos. Eu diria que isso começou em 1979, mas soaria uma perseguição pessoal com este ano (e de fato é). Mas decidi experimentar a carapuça e aprofundar minha opinião sobre este assunto. E quando procurei no Google do que se tratava a “Geração Y”, também mencionada no evento do qual participei, encontrei a seguinte definição:

“A Geração Y, também referida como Geração Millennials ou Geração da
Internet
é um conceito em Sociologia que se refere, segundo alguns autores, à coorte dos nascidos após 1980 e, segundo outros, de meados da década de 1970 até meados da década de 1990, sendo sucedida pela Geração Z. Esta geração desenvolveu-se numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica. Os seus pais, não querendo repetir o abandono das gerações anteriores, encheram-os de presentes, atenções e atividades, fomentando a sua auto-estima. Cresceram vivendo em ação, estimulados por atividades, fazendo tarefas múltiplas. Acostumados a conseguirem o que querem, não se sujeitam às tarefas subalternas de início de carreira e lutam por salários ambiciosos desde cedo. Enquanto grupo crescente, tem se tornado o público-alvo do consumo de novos serviços e na difusão de novas tecnologias. As empresas desses segmentos visam atender esta nova geração de consumidores que se constitui um público exigente e ávido por inovações. Preocupados com o meio ambiente e causas sociais, essa nova geração tem um ponto de vista diferente das gerações anteriores que viveram épocas de guerras e desemprego, com o mundo praticamente estável e mais comodo a liberdade de expressão, esses jovens conseguiram se preocupar com valores esquecidos como vida pessoal, bem-estar e enriquecimento pessoal.”
Como estes dois conceitos se ligam é algo que pode mudar sua percepção de si mesmo, para o bem ou para o mal. Afinal, até profissionalmente muitos vivem hoje “amores líquidos”. Caso se interessem pela polêmica envolvida, acessem: http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=123. O sociólogo polonês Zigmunt Bauman define esse "mal" que ronda as últimas gerações e uma “neura social” cujo fim não se pode prever. Citando um trecho da autora Gioconda Bordon, “a noção de liquidez, quando se refere às relações humanas, tem um sentido inverso ao empregado nas relações bancárias, a disponibilidade de recursos financeiros. A liquidez de quem tem uma conta polpuda no banco, acessível a partir de um comando eletrônico é capaz de tornar qualquer desejo uma realidade concreta. É um atributo potencializador. O amor líquido, ao contrário, é a sensação de bolsos vazios.” Essa liquidez, decorrente de um contexto social e tecnológico que revolucionou nossos relacionamentos, também invadiu nossas escolhas profissionais nos últimos anos. Entretanto, descobri que realmente sou fiel e que não perdi a coragem de recuar, pois voltei ao emprego com o qual eu realmente me identificava e onde ainda estou.

Amar liquidamente pode ser apenas mais um modelo de solidão imposto pelos nossos tempos modernos. Entretanto, volto aos questionamentos que cada um precisa responder para saber qual é a melhor estratégia de vida no seu caso: Antes só do que mal acompanhado? Não se prenda a uma empresa que não se prende a você? Arriscar pode trazer uma opção melhor? É melhor um “contentar-se descontente”? A única resposta plausível é que não existe fórmula mágica.

Você pode aprender a amar liquidamente para se decepcionar menos com as pessoas, especialmente enquanto ainda estiver dolorido. Você pode amar liquidamente para se arriscar profissionalmente, caso ainda não tenha se encontrado no mercado de trabalho. Entretanto, você não pode amar liquidamente sua família, seus amigos, seus planos de vida. Não se perca na tentação de viver em círculos vazios que não te trazem pressão, pois a qualquer momento, você vai precisar de um porto seguro.

Eu sei que meus amigos vão esbravejar por mais uma postagem gigantesca, mas não resisto aos links possíveis a este tema. O livro “Amores Risíveis”, uma das obras de Milan Kundera. Lembro-me deste livro na estante da casa da minha mãe, empoeirado e proibido para a minha cabeça ainda infantil. Quando consultamos a simbologia desta obra, encontramos uma definição que consolida esse tema: “O risível é a necessidade humana pela farsa, pela simulação, pela representação teatral e a incapacidade de experimentar sentimentos verdadeiros. Através da incapacidade de comunhão dos personagens, Kundera parece querer desvelar para o leitor a absoluta falta de sentido da vida sob essas condições. É a velha temática da solidão humana, sua impossibilidade de transposição dos limites da subjetividade.”

Não sou de amores líquidos. Acredito nas relações humanas, apesar de compreender claramente as possíveis falhas às quais todos estamos sujeitos. Não acredito em pessoas perfeitas, em sentimentos sempre infalíveis, mas ainda assim tenho absoluta certeza de que não somos nada sem o próximo. O próximo nos define emocionalmente, territorialmente e especialmente como “gente de carne e osso”. Afinal, nossos sentimentos são respostas, reflexos ou impulsos que adotamos diante daquilo que o próximo causa em nossos nervos, neurônios e corações. Doar-se (sem perder a singularidade) quando valer a pena é um ato de coragem, uma escolha com riscos, mas ainda é a melhor forma de encontrar-se no seu destino."

(Depois da enxaqueca, a insônia...)
Ana Carolina Prado

5.5.10

O lado B(log) de cada um

Eu estava outro dia em uma banca de mestrado com uma colega de muito tempo, doutora pela FALE da UFMG. Surgiu o papo dos "lados B" dos professores. Ela contou que um aluno ficou bem surpreso quando descobriu que ela tinha escrito um livro de contos eróticos... rimos muito, e eu lembrei que uma vez uns alunos acharam uma foto minha meditando na Índia, e trouxeram para sala de aula. Em outra ocasião, fiz uma brincadeira com amigos no elevador de um hospital, e uma das moças que dividia a cabine conosco falou "- Não conhecia esse seu lado, professor Renato!" Que vergonha... :-)

Pois é. Por detrás das "personas" todos temos o nosso lado B. Dentre outras coisas que a gente se arrepende (ou não) de ter escrito ou exposto, são fotos em redes sociais, artigos e missivas, posts em blogs, etc. Será que temos que fazer deste lado "humano" sempre invisível? É fato que somos figuras quase "públicas", e depois de alguns anos de profissão centenas de alunos, senão milhares, já nos conheceram. Mas qual o limite da exclusão dos outros aspectos de nossas vidas?

Eu sempre achei que o médico, o psicanalista, o padre e o professor tinham algo em comum: são todos objetos de transferência, em termos psicanalíticos, e muitos não tomam cuidado e se inflacionam ao tomar este lugar. Por outro lado, não acredito em educação sem encontro, sem comunhão de subjetividades. O espaço do ensino e aprendizagem não pode ser anódino, pois assim não há construção de significado.

Então... que meus lados B, C e D sejam expostos para que a minha humanidade (falibilidade, limitações) sejam patentes. E que, ao sabermos-nos humanos, sejamos companheiros nesse processo de aprendizes-sujeitos, sempre inteiros.

Como disse Pessoa...

    Para ser grande, sê inteiro: nada
    Teu exagera ou exclui.
    Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
    No mínimo que fazes.
    Assim em cada lago a lua toda
    Brilha, porque alta vive.

    Ricardo Reis, 14-2-1933

3.5.10

Músicas e Memória

Como podem ser
certas músicas, cápsulas do tempo.
Me transportam por anos, décadas, distâncias a se perder...

Como se capturassem momentos
Nas entrelinhas de versos, vozes e letras
Tantas pessoas, rostos, sensações, pensamentos

Tenho apenas 100 gigabytes de música
E todo o sentimento do mundo...

24.4.10

Os Livros que Mudaram a Minha Vida

Estou fazendo a série no Twitter, com um livro por dia, de forma totalmente aleatória.
Vou consolidá-los aqui, no blog, na medida em que anunciá-los por lá.

Melhor romance já escrito em português, soberba obra de um escritor iluminado
Uma ficção lúcida que até hoje espanta pela realidade e visão.
Este livro quase me fez desistir de meu emprego na IBM e fazer mestrado na Engenharia Biomédica, para estudar a complexidade da mente humana.
Gabriel Garcia Marques me ensinou que por algumas mulheres vale a pena esperar a vida inteira...
Este livro foi um luz no meu caminho, e me trouxe muitas respostas àquilo que me vinha perguntando há décadas.
Este livro foi uma referência para as gerações anteriores à minha, mas também me serviu como uma iniciação ao meu caminho espiritual.
A poesia e espiritualidade da matemática e da física sempre me seduziram, e talvez tenham influenciado minhas escolhas profissionais.
Joseph Campbell fala de cada um de nós, ao dissecar a estrutura dos mitos e o caminho do herói em todas as culturas.
Como também disse Goethe, "Não há crime humano que eu seja incapaz de cometer". Camus recupera a questão das auto-indulgências, e nos leva, através da fábula, a uma viagem interior.
As diferentes concepções de amor podem coabitar um mesmo relacionamento? Ou: ainda há espaço para a entrega ao outro?
Tentando entender um pouco mais as mulheres, me deparei com esta obra de arte.
Lições de sensibilidade e vida. E algumas frases memoráveis.
Não é novidade o fato que Herman Hesse mexeu com a vida de muitas pessoas... com a famosa trilogia, que também contaria com "O Lobo da Estepe", e "O Jogo...", Hesse ajudou a delinear o caminho de busca espiritual de gerações.
Todos os contos do livro são maravilhosos, mas especialmente "A Terceira Margem do Rio", que eu acho que é a melhor peça de literatura que decanta a alma masculina e as relações dos filhos com os pais. Mas falar qualquer coisa é diminuir a obra...
No meu primeiro ano de engenharia fui apresentado a este texto... que, com certeza, contribuiu para temperar minha visão de mundo a despeito da formação acadêmica das exatas
Ken Wilber é, para mim, um dos grandes filósofos atualmente vivos... mas tenho certeza que seu valor só será reconhecido pela história. Está muito a frente de nosso tempo.
Li este livro três vezes, e a primeira vez com menos de 10 anos. Cada uma delas, um nível de interpretação, mas em todas elas, um experiência marcante.

15.4.10

Obra prima de Wagner, mas que ficou mais bem conhecida por causa do filme "Apocalipse Now"...

3.4.10

Metáforas musicais:
Cópia de um texto que coloquei em um forum de aprendizagem colaborativa.

"Essa discussão começou com uma música de Caetano, e eu me lembrei de dezenas de músicas que cito, em sala de aula, em brindadeiras com os alunos, de certa maneira ligadas à questão da organização e do tempo. Divido com vocês.

1- Em relação ao tempo e excesso de informação, sofremos da síndrome de Caetano quando diz "quem lê tanta notícia"
http://www.youtube.com/watch?v=hmK9GylXRh0

2- Em relação às coisas que evidententemente sabemos que não vamos conseguir realizar, e aos auto-enganos que nos fazem continuar acreditando, sofremos da Síndrome de Beto Guedes, quando diz "A lição sabemos de cor, só nos resta aprender"
http://www.youtube.com/watch?v=PrzlIQsyxWI

3- Em relação à nossa atitude, em redes sociais e com diversas tecnologias eletrônicas, onde esquecemos o propósito e o objetivo reais e perdemos muito tempo deslumbrados com o ambiente, sofremos a síndrome de Oswaldo Montenegro, quando diz "eu amava como amava o pescador, que se encanta mais com a rede que com o mar"
http://www.youtube.com/watch?v=UTsuABL6f8k

4- Em relação ao nosso espanto com a quantidade de registros e documentos para ler, e em como eles proliferam, sofremos a síndrome de Peninha, quando diz "Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo..."
http://www.youtube.com/watch?v=6ssTobZ-jG4
Mas quando algumas coisas realmente importam, a gente diz "quando a gente gosta, é claro que a gente cuida"
http://www.youtube.com/watch?v=JXkgWgOmwLc

5- Quando decidimos que não vamos mudar, que não estamos preparados para a quantidade de coisas a fazer, sofremos a síndrome de Dorival Caymmi, quando diz "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim"
http://www.youtube.com/watch?v=emMRbyl9t8k

E por aí vai... tem Titãs, Raul Seixas, Cazuza...

Abraços,
Renato

19.3.10

Essa música é a cara de Minha filhotinha Anita!



What a dream I had
Pressed in organdy
Clothed in crinoline
Of smoky burgundy
Softer than the rain

I wandered empty streets down
Past the shop displays
I heard cathedral bells
Dripping down the alleyways
As I walked on

And when you ran to me, your
Cheeks flushed with the night
We walked on frosted fields
Of juniper and lamplight
I held your hand

And when I awoke
And felt you warm and near
I kissed your honey hair
With my grateful tears
Oh, I love you girl
Oh, I love you
Download:
FLVMP43GP

25.1.10

O que querem as mulheres?

Leila Lopes se suicida. Em carta aberta, deixa transparecer certa mágoa, e medo de envelhecer. Recém-histerectomizada, e um ano após participar de um filme pornô, numa reviravolta de sua carreira como atriz global, parece não ter aguentado o tranco da depressão, muito possivelmente potencializada pelo desbalanço hormonal da recente operação.

Fernanda Young posa para a Playboy. Cultuada como intelectual, modelo de mulher inteligente, se rende à revista masculina. Admite todos os motivos que levaram a fazê-lo, menos a vaidade. A edição encalha nas prateleiras. Pelo visto, intelectuais com sexualidade pusilânimes não mexem com o imaginário masculino.

Num tempo em que o ser, e mesmo o ter, cedem lugar ao parecer, falar de crise de personalidades e relacionamentos é quase lugar-comum. Mas o que se pode acrescentar, a partir destas facetas, sobre uma patente crise na feminilidade? Concedo que, sendo homem, talvez me falte alguma chave de compreensão: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Mas ao me aproximar deste universo feminino, real ou ficcional durante toda uma vida, tenho a impressão que as mulheres perderam os parâmetros daquilo que as traria felicidade. Amor, sexo, companheirismo, filhos, realização profissional, corpo perfeito?

O que querem as mulheres?? Respondam vocês!

16.12.09

Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar


Cora Coralina

(Feliz Natal)

9.11.09

Relato sobre a viagem à Índia
28 Jan 2002

Meus caros amigos,
Escrevo na tentativa de oferecer uma descrição mais homogênea do que vivi nestes quarenta dias, pois são tantas as perguntas e tantos os amigos a perguntar... Cada hora me lembro de um aspecto, e acabo ressaltando uma faceta para cada pessoa. Nem sei se tenho muito a dizer, pois as maiores experiências em um retiro são subjetivas e internas, mas posso dizer algo da minha impressão sobre a cultura do país, nesta passagem, o que tento nos parágrafos a seguir.

Compreendo agora melhor a imagética que é despertada nas pessoas quando se fala em ir à Índia, pois talvez seja um daqueles poucos países do mundo em que um brasileiro possa sofrer choques culturais. Não posso dizer que conheci muito da Índia. Tive apenas em Mumbai (Bombaim), em Delhi; nas cidades sagradas de Haridwar e Rishikesh (onde passei a maior parte do tempo), em Derah Dum (capital da província do norte, Uttaranchal) e fizemos alguns passeios em pequenas vilas no início da cordilheira do Himalaia (Chamba e Mussorie), de onde vi os picos nevados, dentre os quais o Nandadevi, de mais de 7000 m.

Delhi e Mumbai são cidades grandes como muitas que conhecemos, com seus contrastes de opulência e favelas. Assim como não existe um Brasil, mas vários, o mesmo acontece com a Índia. Talvez de uma forma exacerbada, pois as diferenças culturais se somam às mais de dez linguagens e dialetos, de acordo com a região. A noção de "Índia" como um país toma força apenas após a colonização, pois antes existiam tribos com origens raciais e culturais extremamente diferentes. O sistema de castas, ainda que tenha sido combatido por Gandhi e contestado por vários que o percebem incongruente em um país que se auto-intitula "democrático", continua vigente. As profissões mais nobres são adotadas pelas castas mais nobres, e mesmo entre as castas inferiores existem trabalhos e tipos de serviço que são associados a algumas delas determinadas.

Quando saímos dos grandes centros, podemos ver por que a Índia é um país majoritariamente agrário, pois são vastas as plantações na beira das estradas nacionais. A Índia tem estoques de alimentos para os próximos dez anos, e exporta para os países vizinhos, além de alimentar sua população de quase um bilhão de habitantes (a segunda maior do mundo, atrás apenas da China, que tem quase o dobro). A comida e os itens de vestuário são extremamente baratos. Uma refeição em restaurante custa o equivalente a dois reais, e um pão de forma custa 30 centavos.

Nas ruas, podemos ver carros de modelos antigos que lembram o Brasil há cerca de vinte ou trinta anos, coexistindo nas grandes cidades com novos modelos japoneses e coreanos. Vemos muitos Riquixás, que são triciclos com uma cabine, que servem de táxis. São onipresentes, e o barulho de seus motores é um irritante ruído de fundo. O trânsito é caótico e barulhento, o que contrasta com a mão inglesa que nos lembra de seus colonizadores, tão organizados... a propósito, a palavra "organização" não existe no dicionário de Indi, um dos principais dialetos. As pessoas buzinam todo o tempo, e desviam na última hora do carro que vem, quando estão ultrapassando. O ruído do trânsito das menores estradas da Índia faz o centro do Rio parecer um mosteiro, de tão silencioso. Nas ruas ainda podemos ver as vacas sagradas, que vagam sem rumo e sem dono, e os motoristas que tem que se preocupar em desviar. Matar uma vaca, se proposital, pode levar à prisão perpétua, e se for um acidente, leva o responsável a julgamento como se fosse a vaca um ser humano (lembro-me do ministro Magri com suas cadelas).

Os animais são um show à parte. Além das ubíquas vacas, vimos nas cidades sagradas porcos, macacos, cachorros, búfalos; e numa reserva na margem oposta do Ganges de onde ficávamos, vimos elefantes, pavões, bisões (e há relatos de tigres e gazelas). Os macacos são bravos, e por vezes roubam carteiras e máquinas fotográficas de turistas. Nas cidades sagradas, há centenas de ashrans (comunidades) e milhares de saddhus, swamis, eremitas, monges, ascetas, e outros que fizeram opção pela pobreza e pela espiritualidade, nem sempre porque quiseram, mas porque ser pedinte seja um modo de vida aceito e institucionalizado na Índia. Talvez seja mais fácil exercitar o desapego e a espiritualidade quando o que se tem para se apegar seja tão escasso e desinteressante. Alguns deles moram em cavernas, em florestas, e muitos deles nunca tiveram um lar na vida. Há uma linhagem de monges que andam completamente nus. Os ashrans podem ser todo tipo de comunidade, mas os associamos às comunidades espirituais onde se pratica algum ramo da Yôga. As várias Yôgas estão intimamente ligadas ao hinduísmo, que é uma bela religião. Apresenta uma filosofia prática, além de uma cosmogonia nada dogmática, como podemos ver nas religiões que a sucederam. Mesmo o budismo tomou emprestado diversos elementos e técnicas originalmente associadas ao hinduísmo, com a meditação transcendental.

Na verdade, as diferenças entre o budismo e o hinduísmo são mais artificiais do que se poderia supor, e não vieram de Buda, mas dos budistas. Mas não vou me estender neste assunto, que caberia em uma outra mensagem, talvez maior que esta. É interessante ressaltar que por mais que tenhamos estudos e centros de prática de Yôga no ocidente, estaremos sempre importando as castanhas sem saber como abri-las... A filosofia da Yôga é completamente contrária ao hedonismo e apego material que caracteriza nossa civilização ocidental.

Os indianos são curiosos, e olham bastante para os ocidentais. As mulheres são mais recatadas e não encaram a ninguém (mas olham discretamente). O namoro entre eles é extremamente respeitoso e creio que só têm relações sexuais após o casamento. A geração mais nova me pereceu mais ocidentalizada, em seu modo de vestir e se comportar.

A indiana típica usa seus sáris coloridos, e as muçulmanas cobrem todo o rosto, como nos países árabes (a Índia tem mais muçulmanos que o Paquistão e o Afeganistão juntos). Entre os homens, é comum que amigos andem de mãos dadas na rua, o que a princípio nos causa uma certa surpresa. Lá, ainda hoje é perigoso tomar água ou comer em qualquer lugar. É engraçado observar os indianos comendo com a mão, e reza a lenda que deve ser sempre com a mão direita (que também é usada para cumprimentar). A mão esquerda é usada para limpar o bumbum após ir ao banheiro... Nunca estenda a mão esquerda para um indiano!As ruas são muito sujas, e os esgotos, a céu aberto. Fiquei surpreso pelo fato do Ganges ter a aparência de limpo, o que me deu a impressão de que ele é mesmo sagrado, pois com a quantidade de dejetos e lixo que são jogados, ele deveria parecer imundo. O rio é parte dos rituais sagrados de todas as cidades que atravessa.

O hinduísmo é aparentemente politeísta, mas na verdade, considera um mesmo deus em seus diferentes aspectos. As divindades Vishnu, Shiva, Shakti, Ganesha representam as manifestações da suprema consciência, que tem muitos nomes. Nas cidades sagradas podemos ver muitos ocidentais... alguns com buscas sinceras e outros apenas vestindo suas fantasias. Realmente, há algo de romântico (e de louco) em vestir uma bata, andar descalço, pintar o rosto e incorporar este arquétipo. Pena que na maioria das vezes se perde a essência do que pode ser uma excelente oportunidade de se autoconhecer. O que não faltam são gurus ávidos por discípulos, mas poucos deles podem oferecer um trabalho sério.

Bem, tive sorte de sair ileso nesse período tão conturbado, pois o conflito na região de Kashmir e os atentados terroristas estão esquentando a situação de relações com o Paquistão. A China apóia também o Paquistão, por conta das pendengas que possui com a Índia no Tibet e no Nepal. É uma pena ver que a guerra e conflitos são universais.Tem muita coisa que podemos descobrir ficando sozinhos algum tempo na vida. Mas se for na Índia, esteja preparado, porque ninguém vai a Índia em vão... :-)

Um grande abraço,
Renato

3.11.09

Transcrição de minha palestra na Mesa Redonda - Fé e Razão. UFMG, 11/04/2006.

"Eu gostaria de, inicialmente, agradecer ao Miguel, Fábio e Amanda pelo convite, para falar a vocês em tão ilustre companhia. Eu já dei palestras sobre muitos assuntos, mas é a primeira vez em que sou convidado para falar sobre Razão e Fé. Exatamente por ser novidade para mim, percebi que nunca havia refletido a respeito dessa aparente contradição, quase um oximoro. Eu peço desculpas pelo tom excessivamente pessoal, uma vez que estarei falando a vocês a partir da minha experiência.

O fato é que nunca, em minha vida, Razão e Fé se contrapuseram. A bem da verdade, nem possuo conhecimento – que não seja intelectual - do que seja “Fé”, ao menos na acepção mais comum da palavra. Parece-me que eu sempre “soube”, sempre percebi, desde a mais tenra idade, a presença do numinoso. Crer, ou ter fé, para mim, é uma atitude sobre algo de que não sabemos, de que não temos certeza. Como se diz de São Tomé, que precisou “ver para crer”. E essa percepção, tão atávica, do transcendente, imprimiu em minha alma uma busca pela verdade, pelo conhecimento racional – daquilo que sempre foi intimamente sentido. Se pudéssemos tentar encontrar uma outra pretensa dicotomia que melhor descrevesse minha experiência, esta seria entre a busca do entendimento racional sobre tudo aquilo que de outro modo, eu já sentia. Entre a razão e a sensação. Razão e sentimento.

Durante a infância estas questões estiveram parcialmente adormecidas, mas após a adolescência, rejeitei instintivamente o dogmatismo da educação católica que recebi. Ora pois, a doutrina se intercedia entre meu sentido de sagrado e a minha razão, de forma totalmente artificial. Toda a moral cristã já existia internamente no meu âmago, como ética humana. Por outro lado, os defeitos e a auto-indulgência daqueles que se colocavam como apóstatas de um Deus – que ganhou nome e história – me soavam contraditórios. Parecia a mim, naquela época, que o caminho do cristão era a busca de uma suposta “salvação” de um intangível pecado original, enquanto eu queria ser salvo da ignorância (da falta de conhecimento a respeito) de Deus; essa sim, a fonte de todo o mal. Os “pecados” de que falavam, eram banais, existiam em profusão, cotidianamente, e nada originais. E o que mais me incomodava eram a passividade e comodidade no aceite da condição humana com todas as vicissitudes, porque havia um Deus ao final para “redimir”, para perdoar. O caminho dos cristãos era, para mim, radicalmente diferente da real experiência de Cristo.

Na universidade, flertei com um novo Deus. O Deus da ciência, que era elegante e abstrato, e completamente indiferente às questões humanas. Entre nós, engenheiros, era mesmo considerada primitiva a idéia da religiosidade. A ciência explicava tão bem todas as coisas e ainda operava em um sistema auto-referente que lhe foi concebido de forma a invalidar todos os outros. Mas aquele meu Deus-sentido ainda assim, dava a tudo, sentido... fosse na beleza transcendente da matemática, ou nas entranhas da física quântica... ele estava lá. Quanto mais percebia o universo sob a ótica da racionalidade, mais evidente era para mim que o universo é fruto de uma inteligência superior. E ao sair da universidade, estava mais uma vez em crise, pois embora tivéssemos exemplos de cientistas profundamente religiosos e ainda assim respeitados, como Einstein, ainda assim se buscava expurgar esta “variável” divina e creditá-la a alguma propriedade ainda não conhecida da matéria e energia. O fato é que quanto mais chafurdamos nos domínios subatômicos, mais se percebe a consciência divina que permeia toda a matéria. Eu mesmo acredito que algum dia a ciência ainda vai nos aproximar do conhecimento de Deus. Na faculdade, participei de uma pastoral universitária e o trabalho para o bem do próximo era algo que me reconciliava com a religião católica. Mas a minha verdade ainda estava por ser encontrada.

Formei-me em crise e esta crise me colocou de novo no caminho da busca... cada vez mais fervilhante, cada vez mais necessária. Nessa busca visitei terreiros de umbanda, centros espíritas, mosteiros budistas; participei de workshops com vivências transpessoais, e em todos estes lugares eu encontrava – principalmente – o homem, perigosamente inflado pelos arquétipos de divindade. Mudavam os sistemas, as cosmogonias, as entidades, mas no fundo eu percebia que o belo desconforto que nos leva a buscar a luz, por vezes se dissolve nos grupos humanos, e troca-se o desejo da verdade pela ilusão do pertencimento. Infelizmente, este conforto não me servia. Então li tanto quanto se podia, a respeito de todos os caminhos que se me apresentavam... Estudei a astrologia, o tarô, e descobri em todos estes sistemas um canal para a expressão do self. Li e me emocionei com as vidas dos santos, que em seus modos particulares e verdadeiros, buscavam realmente a imitatio Christi – a imitação de Cristo. Admirei profundamente o caminho da individuação proposto por Carl Jung, e seu livro “Resposta a Jó” me tocou sobremaneira. A narração do embate entre Jó e Javé me marcou, principalmente quando Jung interpreta ter sido este o momento em que Javé resolve encarnar-se como Cristo, para conhecer aquele humano que havia criado. Pela primeira vez alguém afirmava, contrapondo-se a Maslow, que para além da auto-realização, havia um gatilho intrínseco ao ser humano, que é a busca da transcendência. Simpatizei com a idéia do Super-Homem de Nietzsche. Com o mitólogo Joseph Campbell eu conheci as tecnologias do sagrado, que as variadas culturas empregam para entrar em contato com o transcendente. Então eu conheci o Yôga.

No Yôga eu encontrei realmente um caminho que me servia. A essência do Yôga – que significa “união” – é despertar a porção divina dentro de cada um de nós, e unir esta com a fonte, com Deus. Pela primeira vez, a divindade era algo que podia ser experimentado, de forma tão completa, tão arrebatadora, que dissolvia quaisquer dicotomias – razão, sentimento – que porventura existissem. Passei quase dois meses na Índia meditando sob supervisão de um Swami, e entrei em contato com o que conheço de mais real, a experiência estruturante que me conduz. Como na luta de Cristo com os demônios no deserto, como na meditação transcendente de Buda, ou como na preparação do profeta Maomé no exílio... acredito que o sentido, o significado, que dissolve a razão e faz da fé desnecessária, só é encontrado pelo homem no seu íntimo, pois só no seu íntimo pode o homem encontrar a Deus. Desta experiência, me surgiu renovada a certeza da multiplicidade dos caminhos, e também um profundo respeito pelas buscas sinceras de todos os seres humanos – dentro ou fora dos sistemas religiosos. Tenho e busco sempre a consciência das minhas grandes limitações, que só são mitigadas pela certeza de caminhar sempre.

Para fechar, e compartilhar convosco o sentido desta vivência pessoal, digo que acredito que dentro de cada um de nós haja este desejo latente, adormecido. Somos como os girassóis, e, embora possamos ser criados em estufas, nossa maior realização é voltar-se para a luz. A juventude nos empresta diversas bandeiras, a vida nos encarrega de afazeres, e a roda viva por vezes amortece o espírito por muito tempo. Mas eu nunca conheci uma atitude refratária para com o numinoso que se sustentasse para sempre. A ignorância pode ser às vezes uma bênção, mas só a verdade traz a libertação."

Obrigado.

30.10.09

As vezes as músicas nem precisam de letra... :-)

A Sombra - Madredeus

Todo dia tem um pouco da noite da minha vida,
Em que tempo, espaço, infinito
Não cabem, transbordam dentro de mim.

Sinto a angústia do lavrador que,
com sacas e sacas de sementes para plantar, em campos sem fim...
Queria mesmo parar e ver crescer uma única semente, sua vida inteira.




When the night comes
Jon and Vangelis

A women in your soul
Creates the man you hold

And when the night comes
When you relax with me
I'll take you in my arms
I'll make you dream
So just remember this
A kiss is just a kiss
A smile is just a smile, with you

Come to me, say you will
And like a storm I can help you feel
You must believe you hold the key
Come to me, say you will
You are divine, your body holds me tight
You can't imagine[, kiss so we'll know ** "kiss ... know" who knows?]

(Just you) I want you always
(Just you) I want you always
(Just you) I want you always

I want you always
I want you always
I want you always

A woman needs to love
A woman needs to love
A woman needs to feel alive

A woman needs her sex
A woman needs her sex
A woman needs...

23.10.09

Será que ainda se faz música tão boa?
"Five Hundred Miles", com Peter Paul and Mary.



Se bem que esta gravação aqui está mais limpa...

7.10.09

If you want to build a ship, don't drum up people to collect wood and don't assign them tasks and work, but rather teach them to long for the endless immensity of the sea.
Antoine de Saint-Exupery

6.10.09

E, finalmente, a música que encomendei ao Vangelis para a Anita:



Deborah
Jon And Vangelis

I read your letter, I got it just the other day...
You seem so happy, so funny...how time melts away
It's such a pleasure, to see you growing
And how you sending your love to the air today

I think of Heaven...each time I see you walking there
And as you're walking, I think of children everywhere
It's in your star sign...you growing stronger
I can't believe you...so good to care

Thru enchantment, into sunlight
Angel's touch...your eyes...
Your highness...electric...so surprise
Is this your first life...?
It seems as though you have lived before
You help me hold on...
You have a heart like an open door
You sing so sweetly...my love adores you
She does, she's thinking of you right now
I know...

The summer's coming...
I'll keep in touch so you're not alone
Then like the swallow, you'll fly away like birds have flown
So let me tell you...how much I Love You
I'd make the songbirds sing... for you again...

Well now it's goodnight...
Sweet Angel...read this letter...
Well...