Músicas e Memória
Como podem ser
certas músicas, cápsulas do tempo.
Me transportam por anos, décadas, distâncias a se perder...
Como se capturassem momentos
Nas entrelinhas de versos, vozes e letras
Tantas pessoas, rostos, sensações, pensamentos
Tenho apenas 100 gigabytes de música
E todo o sentimento do mundo...
3.5.10
24.4.10
Os Livros que Mudaram a Minha Vida
Estou fazendo a série no Twitter, com um livro por dia, de forma totalmente aleatória.
Vou consolidá-los aqui, no blog, na medida em que anunciá-los por lá.
Estou fazendo a série no Twitter, com um livro por dia, de forma totalmente aleatória.
Vou consolidá-los aqui, no blog, na medida em que anunciá-los por lá.
Melhor romance já escrito em português, soberba obra de um escritor iluminado
Uma ficção lúcida que até hoje espanta pela realidade e visão.
Este livro quase me fez desistir de meu emprego na IBM e fazer mestrado na Engenharia Biomédica, para estudar a complexidade da mente humana.
Gabriel Garcia Marques me ensinou que por algumas mulheres vale a pena esperar a vida inteira...
Este livro foi um luz no meu caminho, e me trouxe muitas respostas àquilo que me vinha perguntando há décadas.
Este livro foi uma referência para as gerações anteriores à minha, mas também me serviu como uma iniciação ao meu caminho espiritual.
A poesia e espiritualidade da matemática e da física sempre me seduziram, e talvez tenham influenciado minhas escolhas profissionais.
Joseph Campbell fala de cada um de nós, ao dissecar a estrutura dos mitos e o caminho do herói em todas as culturas.
Como também disse Goethe, "Não há crime humano que eu seja incapaz de cometer". Camus recupera a questão das auto-indulgências, e nos leva, através da fábula, a uma viagem interior.
As diferentes concepções de amor podem coabitar um mesmo relacionamento? Ou: ainda há espaço para a entrega ao outro?
Tentando entender um pouco mais as mulheres, me deparei com esta obra de arte.
Lições de sensibilidade e vida. E algumas frases memoráveis.
- "Demian", "Sidarta" e "O Jogo das Contas de Vidro" (Herman Hesse)
Não é novidade o fato que Herman Hesse mexeu com a vida de muitas pessoas... com a famosa trilogia, que também contaria com "O Lobo da Estepe", e "O Jogo...", Hesse ajudou a delinear o caminho de busca espiritual de gerações.
Todos os contos do livro são maravilhosos, mas especialmente "A Terceira Margem do Rio", que eu acho que é a melhor peça de literatura que decanta a alma masculina e as relações dos filhos com os pais. Mas falar qualquer coisa é diminuir a obra...
No meu primeiro ano de engenharia fui apresentado a este texto... que, com certeza, contribuiu para temperar minha visão de mundo a despeito da formação acadêmica das exatas
Ken Wilber é, para mim, um dos grandes filósofos atualmente vivos... mas tenho certeza que seu valor só será reconhecido pela história. Está muito a frente de nosso tempo.
Li este livro três vezes, e a primeira vez com menos de 10 anos. Cada uma delas, um nível de interpretação, mas em todas elas, um experiência marcante.
15.4.10
3.4.10
Metáforas musicais:
Cópia de um texto que coloquei em um forum de aprendizagem colaborativa.
"Essa discussão começou com uma música de Caetano, e eu me lembrei de dezenas de músicas que cito, em sala de aula, em brindadeiras com os alunos, de certa maneira ligadas à questão da organização e do tempo. Divido com vocês.
1- Em relação ao tempo e excesso de informação, sofremos da síndrome de Caetano quando diz "quem lê tanta notícia"
http://www.youtube.com/watch?v=hmK9GylXRh0
2- Em relação às coisas que evidententemente sabemos que não vamos conseguir realizar, e aos auto-enganos que nos fazem continuar acreditando, sofremos da Síndrome de Beto Guedes, quando diz "A lição sabemos de cor, só nos resta aprender"
http://www.youtube.com/watch?v=PrzlIQsyxWI
3- Em relação à nossa atitude, em redes sociais e com diversas tecnologias eletrônicas, onde esquecemos o propósito e o objetivo reais e perdemos muito tempo deslumbrados com o ambiente, sofremos a síndrome de Oswaldo Montenegro, quando diz "eu amava como amava o pescador, que se encanta mais com a rede que com o mar"
http://www.youtube.com/watch?v=UTsuABL6f8k
4- Em relação ao nosso espanto com a quantidade de registros e documentos para ler, e em como eles proliferam, sofremos a síndrome de Peninha, quando diz "Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo..."
http://www.youtube.com/watch?v=6ssTobZ-jG4
Mas quando algumas coisas realmente importam, a gente diz "quando a gente gosta, é claro que a gente cuida"
http://www.youtube.com/watch?v=JXkgWgOmwLc
5- Quando decidimos que não vamos mudar, que não estamos preparados para a quantidade de coisas a fazer, sofremos a síndrome de Dorival Caymmi, quando diz "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim"
http://www.youtube.com/watch?v=emMRbyl9t8k
E por aí vai... tem Titãs, Raul Seixas, Cazuza...
Abraços,
Renato
Cópia de um texto que coloquei em um forum de aprendizagem colaborativa.
"Essa discussão começou com uma música de Caetano, e eu me lembrei de dezenas de músicas que cito, em sala de aula, em brindadeiras com os alunos, de certa maneira ligadas à questão da organização e do tempo. Divido com vocês.
1- Em relação ao tempo e excesso de informação, sofremos da síndrome de Caetano quando diz "quem lê tanta notícia"
http://www.youtube.com/watch?v=hmK9GylXRh0
2- Em relação às coisas que evidententemente sabemos que não vamos conseguir realizar, e aos auto-enganos que nos fazem continuar acreditando, sofremos da Síndrome de Beto Guedes, quando diz "A lição sabemos de cor, só nos resta aprender"
http://www.youtube.com/watch?v=PrzlIQsyxWI
3- Em relação à nossa atitude, em redes sociais e com diversas tecnologias eletrônicas, onde esquecemos o propósito e o objetivo reais e perdemos muito tempo deslumbrados com o ambiente, sofremos a síndrome de Oswaldo Montenegro, quando diz "eu amava como amava o pescador, que se encanta mais com a rede que com o mar"
http://www.youtube.com/watch?v=UTsuABL6f8k
4- Em relação ao nosso espanto com a quantidade de registros e documentos para ler, e em como eles proliferam, sofremos a síndrome de Peninha, quando diz "Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo..."
http://www.youtube.com/watch?v=6ssTobZ-jG4
Mas quando algumas coisas realmente importam, a gente diz "quando a gente gosta, é claro que a gente cuida"
http://www.youtube.com/watch?v=JXkgWgOmwLc
5- Quando decidimos que não vamos mudar, que não estamos preparados para a quantidade de coisas a fazer, sofremos a síndrome de Dorival Caymmi, quando diz "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim"
http://www.youtube.com/watch?v=emMRbyl9t8k
E por aí vai... tem Titãs, Raul Seixas, Cazuza...
Abraços,
Renato
19.3.10
Essa música é a cara de Minha filhotinha Anita!
What a dream I had
Pressed in organdy
Clothed in crinoline
Of smoky burgundy
Softer than the rain
I wandered empty streets down
Past the shop displays
I heard cathedral bells
Dripping down the alleyways
As I walked on
And when you ran to me, your
Cheeks flushed with the night
We walked on frosted fields
Of juniper and lamplight
I held your hand
And when I awoke
And felt you warm and near
I kissed your honey hair
With my grateful tears
Oh, I love you girl
Oh, I love you
What a dream I had
Pressed in organdy
Clothed in crinoline
Of smoky burgundy
Softer than the rain
I wandered empty streets down
Past the shop displays
I heard cathedral bells
Dripping down the alleyways
As I walked on
And when you ran to me, your
Cheeks flushed with the night
We walked on frosted fields
Of juniper and lamplight
I held your hand
And when I awoke
And felt you warm and near
I kissed your honey hair
With my grateful tears
Oh, I love you girl
Oh, I love you
25.1.10
O que querem as mulheres?
Leila Lopes se suicida. Em carta aberta, deixa transparecer certa mágoa, e medo de envelhecer. Recém-histerectomizada, e um ano após participar de um filme pornô, numa reviravolta de sua carreira como atriz global, parece não ter aguentado o tranco da depressão, muito possivelmente potencializada pelo desbalanço hormonal da recente operação.
Fernanda Young posa para a Playboy. Cultuada como intelectual, modelo de mulher inteligente, se rende à revista masculina. Admite todos os motivos que levaram a fazê-lo, menos a vaidade. A edição encalha nas prateleiras. Pelo visto, intelectuais com sexualidade pusilânimes não mexem com o imaginário masculino.
Num tempo em que o ser, e mesmo o ter, cedem lugar ao parecer, falar de crise de personalidades e relacionamentos é quase lugar-comum. Mas o que se pode acrescentar, a partir destas facetas, sobre uma patente crise na feminilidade? Concedo que, sendo homem, talvez me falte alguma chave de compreensão: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Mas ao me aproximar deste universo feminino, real ou ficcional durante toda uma vida, tenho a impressão que as mulheres perderam os parâmetros daquilo que as traria felicidade. Amor, sexo, companheirismo, filhos, realização profissional, corpo perfeito?
O que querem as mulheres?? Respondam vocês!
Leila Lopes se suicida. Em carta aberta, deixa transparecer certa mágoa, e medo de envelhecer. Recém-histerectomizada, e um ano após participar de um filme pornô, numa reviravolta de sua carreira como atriz global, parece não ter aguentado o tranco da depressão, muito possivelmente potencializada pelo desbalanço hormonal da recente operação.
Fernanda Young posa para a Playboy. Cultuada como intelectual, modelo de mulher inteligente, se rende à revista masculina. Admite todos os motivos que levaram a fazê-lo, menos a vaidade. A edição encalha nas prateleiras. Pelo visto, intelectuais com sexualidade pusilânimes não mexem com o imaginário masculino.
Num tempo em que o ser, e mesmo o ter, cedem lugar ao parecer, falar de crise de personalidades e relacionamentos é quase lugar-comum. Mas o que se pode acrescentar, a partir destas facetas, sobre uma patente crise na feminilidade? Concedo que, sendo homem, talvez me falte alguma chave de compreensão: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Mas ao me aproximar deste universo feminino, real ou ficcional durante toda uma vida, tenho a impressão que as mulheres perderam os parâmetros daquilo que as traria felicidade. Amor, sexo, companheirismo, filhos, realização profissional, corpo perfeito?
O que querem as mulheres?? Respondam vocês!
16.12.09
Saber Viver
Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar
Cora Coralina
(Feliz Natal)
Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar
Cora Coralina
(Feliz Natal)
9.11.09
Relato sobre a viagem à Índia
28 Jan 2002
Meus caros amigos,
Escrevo na tentativa de oferecer uma descrição mais homogênea do que vivi nestes quarenta dias, pois são tantas as perguntas e tantos os amigos a perguntar... Cada hora me lembro de um aspecto, e acabo ressaltando uma faceta para cada pessoa. Nem sei se tenho muito a dizer, pois as maiores experiências em um retiro são subjetivas e internas, mas posso dizer algo da minha impressão sobre a cultura do país, nesta passagem, o que tento nos parágrafos a seguir.
Compreendo agora melhor a imagética que é despertada nas pessoas quando se fala em ir à Índia, pois talvez seja um daqueles poucos países do mundo em que um brasileiro possa sofrer choques culturais. Não posso dizer que conheci muito da Índia. Tive apenas em Mumbai (Bombaim), em Delhi; nas cidades sagradas de Haridwar e Rishikesh (onde passei a maior parte do tempo), em Derah Dum (capital da província do norte, Uttaranchal) e fizemos alguns passeios em pequenas vilas no início da cordilheira do Himalaia (Chamba e Mussorie), de onde vi os picos nevados, dentre os quais o Nandadevi, de mais de 7000 m.
Delhi e Mumbai são cidades grandes como muitas que conhecemos, com seus contrastes de opulência e favelas. Assim como não existe um Brasil, mas vários, o mesmo acontece com a Índia. Talvez de uma forma exacerbada, pois as diferenças culturais se somam às mais de dez linguagens e dialetos, de acordo com a região. A noção de "Índia" como um país toma força apenas após a colonização, pois antes existiam tribos com origens raciais e culturais extremamente diferentes. O sistema de castas, ainda que tenha sido combatido por Gandhi e contestado por vários que o percebem incongruente em um país que se auto-intitula "democrático", continua vigente. As profissões mais nobres são adotadas pelas castas mais nobres, e mesmo entre as castas inferiores existem trabalhos e tipos de serviço que são associados a algumas delas determinadas.
Quando saímos dos grandes centros, podemos ver por que a Índia é um país majoritariamente agrário, pois são vastas as plantações na beira das estradas nacionais. A Índia tem estoques de alimentos para os próximos dez anos, e exporta para os países vizinhos, além de alimentar sua população de quase um bilhão de habitantes (a segunda maior do mundo, atrás apenas da China, que tem quase o dobro). A comida e os itens de vestuário são extremamente baratos. Uma refeição em restaurante custa o equivalente a dois reais, e um pão de forma custa 30 centavos.
Nas ruas, podemos ver carros de modelos antigos que lembram o Brasil há cerca de vinte ou trinta anos, coexistindo nas grandes cidades com novos modelos japoneses e coreanos. Vemos muitos Riquixás, que são triciclos com uma cabine, que servem de táxis. São onipresentes, e o barulho de seus motores é um irritante ruído de fundo. O trânsito é caótico e barulhento, o que contrasta com a mão inglesa que nos lembra de seus colonizadores, tão organizados... a propósito, a palavra "organização" não existe no dicionário de Indi, um dos principais dialetos. As pessoas buzinam todo o tempo, e desviam na última hora do carro que vem, quando estão ultrapassando. O ruído do trânsito das menores estradas da Índia faz o centro do Rio parecer um mosteiro, de tão silencioso. Nas ruas ainda podemos ver as vacas sagradas, que vagam sem rumo e sem dono, e os motoristas que tem que se preocupar em desviar. Matar uma vaca, se proposital, pode levar à prisão perpétua, e se for um acidente, leva o responsável a julgamento como se fosse a vaca um ser humano (lembro-me do ministro Magri com suas cadelas).
Os animais são um show à parte. Além das ubíquas vacas, vimos nas cidades sagradas porcos, macacos, cachorros, búfalos; e numa reserva na margem oposta do Ganges de onde ficávamos, vimos elefantes, pavões, bisões (e há relatos de tigres e gazelas). Os macacos são bravos, e por vezes roubam carteiras e máquinas fotográficas de turistas. Nas cidades sagradas, há centenas de ashrans (comunidades) e milhares de saddhus, swamis, eremitas, monges, ascetas, e outros que fizeram opção pela pobreza e pela espiritualidade, nem sempre porque quiseram, mas porque ser pedinte seja um modo de vida aceito e institucionalizado na Índia. Talvez seja mais fácil exercitar o desapego e a espiritualidade quando o que se tem para se apegar seja tão escasso e desinteressante. Alguns deles moram em cavernas, em florestas, e muitos deles nunca tiveram um lar na vida. Há uma linhagem de monges que andam completamente nus. Os ashrans podem ser todo tipo de comunidade, mas os associamos às comunidades espirituais onde se pratica algum ramo da Yôga. As várias Yôgas estão intimamente ligadas ao hinduísmo, que é uma bela religião. Apresenta uma filosofia prática, além de uma cosmogonia nada dogmática, como podemos ver nas religiões que a sucederam. Mesmo o budismo tomou emprestado diversos elementos e técnicas originalmente associadas ao hinduísmo, com a meditação transcendental.
Na verdade, as diferenças entre o budismo e o hinduísmo são mais artificiais do que se poderia supor, e não vieram de Buda, mas dos budistas. Mas não vou me estender neste assunto, que caberia em uma outra mensagem, talvez maior que esta. É interessante ressaltar que por mais que tenhamos estudos e centros de prática de Yôga no ocidente, estaremos sempre importando as castanhas sem saber como abri-las... A filosofia da Yôga é completamente contrária ao hedonismo e apego material que caracteriza nossa civilização ocidental.
Os indianos são curiosos, e olham bastante para os ocidentais. As mulheres são mais recatadas e não encaram a ninguém (mas olham discretamente). O namoro entre eles é extremamente respeitoso e creio que só têm relações sexuais após o casamento. A geração mais nova me pereceu mais ocidentalizada, em seu modo de vestir e se comportar.
A indiana típica usa seus sáris coloridos, e as muçulmanas cobrem todo o rosto, como nos países árabes (a Índia tem mais muçulmanos que o Paquistão e o Afeganistão juntos). Entre os homens, é comum que amigos andem de mãos dadas na rua, o que a princípio nos causa uma certa surpresa. Lá, ainda hoje é perigoso tomar água ou comer em qualquer lugar. É engraçado observar os indianos comendo com a mão, e reza a lenda que deve ser sempre com a mão direita (que também é usada para cumprimentar). A mão esquerda é usada para limpar o bumbum após ir ao banheiro... Nunca estenda a mão esquerda para um indiano!As ruas são muito sujas, e os esgotos, a céu aberto. Fiquei surpreso pelo fato do Ganges ter a aparência de limpo, o que me deu a impressão de que ele é mesmo sagrado, pois com a quantidade de dejetos e lixo que são jogados, ele deveria parecer imundo. O rio é parte dos rituais sagrados de todas as cidades que atravessa.
O hinduísmo é aparentemente politeísta, mas na verdade, considera um mesmo deus em seus diferentes aspectos. As divindades Vishnu, Shiva, Shakti, Ganesha representam as manifestações da suprema consciência, que tem muitos nomes. Nas cidades sagradas podemos ver muitos ocidentais... alguns com buscas sinceras e outros apenas vestindo suas fantasias. Realmente, há algo de romântico (e de louco) em vestir uma bata, andar descalço, pintar o rosto e incorporar este arquétipo. Pena que na maioria das vezes se perde a essência do que pode ser uma excelente oportunidade de se autoconhecer. O que não faltam são gurus ávidos por discípulos, mas poucos deles podem oferecer um trabalho sério.
Bem, tive sorte de sair ileso nesse período tão conturbado, pois o conflito na região de Kashmir e os atentados terroristas estão esquentando a situação de relações com o Paquistão. A China apóia também o Paquistão, por conta das pendengas que possui com a Índia no Tibet e no Nepal. É uma pena ver que a guerra e conflitos são universais.Tem muita coisa que podemos descobrir ficando sozinhos algum tempo na vida. Mas se for na Índia, esteja preparado, porque ninguém vai a Índia em vão... :-)
Um grande abraço,
Renato
28 Jan 2002
Meus caros amigos,
Escrevo na tentativa de oferecer uma descrição mais homogênea do que vivi nestes quarenta dias, pois são tantas as perguntas e tantos os amigos a perguntar... Cada hora me lembro de um aspecto, e acabo ressaltando uma faceta para cada pessoa. Nem sei se tenho muito a dizer, pois as maiores experiências em um retiro são subjetivas e internas, mas posso dizer algo da minha impressão sobre a cultura do país, nesta passagem, o que tento nos parágrafos a seguir.
Compreendo agora melhor a imagética que é despertada nas pessoas quando se fala em ir à Índia, pois talvez seja um daqueles poucos países do mundo em que um brasileiro possa sofrer choques culturais. Não posso dizer que conheci muito da Índia. Tive apenas em Mumbai (Bombaim), em Delhi; nas cidades sagradas de Haridwar e Rishikesh (onde passei a maior parte do tempo), em Derah Dum (capital da província do norte, Uttaranchal) e fizemos alguns passeios em pequenas vilas no início da cordilheira do Himalaia (Chamba e Mussorie), de onde vi os picos nevados, dentre os quais o Nandadevi, de mais de 7000 m.
Delhi e Mumbai são cidades grandes como muitas que conhecemos, com seus contrastes de opulência e favelas. Assim como não existe um Brasil, mas vários, o mesmo acontece com a Índia. Talvez de uma forma exacerbada, pois as diferenças culturais se somam às mais de dez linguagens e dialetos, de acordo com a região. A noção de "Índia" como um país toma força apenas após a colonização, pois antes existiam tribos com origens raciais e culturais extremamente diferentes. O sistema de castas, ainda que tenha sido combatido por Gandhi e contestado por vários que o percebem incongruente em um país que se auto-intitula "democrático", continua vigente. As profissões mais nobres são adotadas pelas castas mais nobres, e mesmo entre as castas inferiores existem trabalhos e tipos de serviço que são associados a algumas delas determinadas.
Quando saímos dos grandes centros, podemos ver por que a Índia é um país majoritariamente agrário, pois são vastas as plantações na beira das estradas nacionais. A Índia tem estoques de alimentos para os próximos dez anos, e exporta para os países vizinhos, além de alimentar sua população de quase um bilhão de habitantes (a segunda maior do mundo, atrás apenas da China, que tem quase o dobro). A comida e os itens de vestuário são extremamente baratos. Uma refeição em restaurante custa o equivalente a dois reais, e um pão de forma custa 30 centavos.
Nas ruas, podemos ver carros de modelos antigos que lembram o Brasil há cerca de vinte ou trinta anos, coexistindo nas grandes cidades com novos modelos japoneses e coreanos. Vemos muitos Riquixás, que são triciclos com uma cabine, que servem de táxis. São onipresentes, e o barulho de seus motores é um irritante ruído de fundo. O trânsito é caótico e barulhento, o que contrasta com a mão inglesa que nos lembra de seus colonizadores, tão organizados... a propósito, a palavra "organização" não existe no dicionário de Indi, um dos principais dialetos. As pessoas buzinam todo o tempo, e desviam na última hora do carro que vem, quando estão ultrapassando. O ruído do trânsito das menores estradas da Índia faz o centro do Rio parecer um mosteiro, de tão silencioso. Nas ruas ainda podemos ver as vacas sagradas, que vagam sem rumo e sem dono, e os motoristas que tem que se preocupar em desviar. Matar uma vaca, se proposital, pode levar à prisão perpétua, e se for um acidente, leva o responsável a julgamento como se fosse a vaca um ser humano (lembro-me do ministro Magri com suas cadelas).
Os animais são um show à parte. Além das ubíquas vacas, vimos nas cidades sagradas porcos, macacos, cachorros, búfalos; e numa reserva na margem oposta do Ganges de onde ficávamos, vimos elefantes, pavões, bisões (e há relatos de tigres e gazelas). Os macacos são bravos, e por vezes roubam carteiras e máquinas fotográficas de turistas. Nas cidades sagradas, há centenas de ashrans (comunidades) e milhares de saddhus, swamis, eremitas, monges, ascetas, e outros que fizeram opção pela pobreza e pela espiritualidade, nem sempre porque quiseram, mas porque ser pedinte seja um modo de vida aceito e institucionalizado na Índia. Talvez seja mais fácil exercitar o desapego e a espiritualidade quando o que se tem para se apegar seja tão escasso e desinteressante. Alguns deles moram em cavernas, em florestas, e muitos deles nunca tiveram um lar na vida. Há uma linhagem de monges que andam completamente nus. Os ashrans podem ser todo tipo de comunidade, mas os associamos às comunidades espirituais onde se pratica algum ramo da Yôga. As várias Yôgas estão intimamente ligadas ao hinduísmo, que é uma bela religião. Apresenta uma filosofia prática, além de uma cosmogonia nada dogmática, como podemos ver nas religiões que a sucederam. Mesmo o budismo tomou emprestado diversos elementos e técnicas originalmente associadas ao hinduísmo, com a meditação transcendental.
Na verdade, as diferenças entre o budismo e o hinduísmo são mais artificiais do que se poderia supor, e não vieram de Buda, mas dos budistas. Mas não vou me estender neste assunto, que caberia em uma outra mensagem, talvez maior que esta. É interessante ressaltar que por mais que tenhamos estudos e centros de prática de Yôga no ocidente, estaremos sempre importando as castanhas sem saber como abri-las... A filosofia da Yôga é completamente contrária ao hedonismo e apego material que caracteriza nossa civilização ocidental.
Os indianos são curiosos, e olham bastante para os ocidentais. As mulheres são mais recatadas e não encaram a ninguém (mas olham discretamente). O namoro entre eles é extremamente respeitoso e creio que só têm relações sexuais após o casamento. A geração mais nova me pereceu mais ocidentalizada, em seu modo de vestir e se comportar.
A indiana típica usa seus sáris coloridos, e as muçulmanas cobrem todo o rosto, como nos países árabes (a Índia tem mais muçulmanos que o Paquistão e o Afeganistão juntos). Entre os homens, é comum que amigos andem de mãos dadas na rua, o que a princípio nos causa uma certa surpresa. Lá, ainda hoje é perigoso tomar água ou comer em qualquer lugar. É engraçado observar os indianos comendo com a mão, e reza a lenda que deve ser sempre com a mão direita (que também é usada para cumprimentar). A mão esquerda é usada para limpar o bumbum após ir ao banheiro... Nunca estenda a mão esquerda para um indiano!As ruas são muito sujas, e os esgotos, a céu aberto. Fiquei surpreso pelo fato do Ganges ter a aparência de limpo, o que me deu a impressão de que ele é mesmo sagrado, pois com a quantidade de dejetos e lixo que são jogados, ele deveria parecer imundo. O rio é parte dos rituais sagrados de todas as cidades que atravessa.
O hinduísmo é aparentemente politeísta, mas na verdade, considera um mesmo deus em seus diferentes aspectos. As divindades Vishnu, Shiva, Shakti, Ganesha representam as manifestações da suprema consciência, que tem muitos nomes. Nas cidades sagradas podemos ver muitos ocidentais... alguns com buscas sinceras e outros apenas vestindo suas fantasias. Realmente, há algo de romântico (e de louco) em vestir uma bata, andar descalço, pintar o rosto e incorporar este arquétipo. Pena que na maioria das vezes se perde a essência do que pode ser uma excelente oportunidade de se autoconhecer. O que não faltam são gurus ávidos por discípulos, mas poucos deles podem oferecer um trabalho sério.
Bem, tive sorte de sair ileso nesse período tão conturbado, pois o conflito na região de Kashmir e os atentados terroristas estão esquentando a situação de relações com o Paquistão. A China apóia também o Paquistão, por conta das pendengas que possui com a Índia no Tibet e no Nepal. É uma pena ver que a guerra e conflitos são universais.Tem muita coisa que podemos descobrir ficando sozinhos algum tempo na vida. Mas se for na Índia, esteja preparado, porque ninguém vai a Índia em vão... :-)
Um grande abraço,
Renato
3.11.09
Transcrição de minha palestra na Mesa Redonda - Fé e Razão. UFMG, 11/04/2006.
"Eu gostaria de, inicialmente, agradecer ao Miguel, Fábio e Amanda pelo convite, para falar a vocês em tão ilustre companhia. Eu já dei palestras sobre muitos assuntos, mas é a primeira vez em que sou convidado para falar sobre Razão e Fé. Exatamente por ser novidade para mim, percebi que nunca havia refletido a respeito dessa aparente contradição, quase um oximoro. Eu peço desculpas pelo tom excessivamente pessoal, uma vez que estarei falando a vocês a partir da minha experiência.
O fato é que nunca, em minha vida, Razão e Fé se contrapuseram. A bem da verdade, nem possuo conhecimento – que não seja intelectual - do que seja “Fé”, ao menos na acepção mais comum da palavra. Parece-me que eu sempre “soube”, sempre percebi, desde a mais tenra idade, a presença do numinoso. Crer, ou ter fé, para mim, é uma atitude sobre algo de que não sabemos, de que não temos certeza. Como se diz de São Tomé, que precisou “ver para crer”. E essa percepção, tão atávica, do transcendente, imprimiu em minha alma uma busca pela verdade, pelo conhecimento racional – daquilo que sempre foi intimamente sentido. Se pudéssemos tentar encontrar uma outra pretensa dicotomia que melhor descrevesse minha experiência, esta seria entre a busca do entendimento racional sobre tudo aquilo que de outro modo, eu já sentia. Entre a razão e a sensação. Razão e sentimento.
Durante a infância estas questões estiveram parcialmente adormecidas, mas após a adolescência, rejeitei instintivamente o dogmatismo da educação católica que recebi. Ora pois, a doutrina se intercedia entre meu sentido de sagrado e a minha razão, de forma totalmente artificial. Toda a moral cristã já existia internamente no meu âmago, como ética humana. Por outro lado, os defeitos e a auto-indulgência daqueles que se colocavam como apóstatas de um Deus – que ganhou nome e história – me soavam contraditórios. Parecia a mim, naquela época, que o caminho do cristão era a busca de uma suposta “salvação” de um intangível pecado original, enquanto eu queria ser salvo da ignorância (da falta de conhecimento a respeito) de Deus; essa sim, a fonte de todo o mal. Os “pecados” de que falavam, eram banais, existiam em profusão, cotidianamente, e nada originais. E o que mais me incomodava eram a passividade e comodidade no aceite da condição humana com todas as vicissitudes, porque havia um Deus ao final para “redimir”, para perdoar. O caminho dos cristãos era, para mim, radicalmente diferente da real experiência de Cristo.
Na universidade, flertei com um novo Deus. O Deus da ciência, que era elegante e abstrato, e completamente indiferente às questões humanas. Entre nós, engenheiros, era mesmo considerada primitiva a idéia da religiosidade. A ciência explicava tão bem todas as coisas e ainda operava em um sistema auto-referente que lhe foi concebido de forma a invalidar todos os outros. Mas aquele meu Deus-sentido ainda assim, dava a tudo, sentido... fosse na beleza transcendente da matemática, ou nas entranhas da física quântica... ele estava lá. Quanto mais percebia o universo sob a ótica da racionalidade, mais evidente era para mim que o universo é fruto de uma inteligência superior. E ao sair da universidade, estava mais uma vez em crise, pois embora tivéssemos exemplos de cientistas profundamente religiosos e ainda assim respeitados, como Einstein, ainda assim se buscava expurgar esta “variável” divina e creditá-la a alguma propriedade ainda não conhecida da matéria e energia. O fato é que quanto mais chafurdamos nos domínios subatômicos, mais se percebe a consciência divina que permeia toda a matéria. Eu mesmo acredito que algum dia a ciência ainda vai nos aproximar do conhecimento de Deus. Na faculdade, participei de uma pastoral universitária e o trabalho para o bem do próximo era algo que me reconciliava com a religião católica. Mas a minha verdade ainda estava por ser encontrada.
Formei-me em crise e esta crise me colocou de novo no caminho da busca... cada vez mais fervilhante, cada vez mais necessária. Nessa busca visitei terreiros de umbanda, centros espíritas, mosteiros budistas; participei de workshops com vivências transpessoais, e em todos estes lugares eu encontrava – principalmente – o homem, perigosamente inflado pelos arquétipos de divindade. Mudavam os sistemas, as cosmogonias, as entidades, mas no fundo eu percebia que o belo desconforto que nos leva a buscar a luz, por vezes se dissolve nos grupos humanos, e troca-se o desejo da verdade pela ilusão do pertencimento. Infelizmente, este conforto não me servia. Então li tanto quanto se podia, a respeito de todos os caminhos que se me apresentavam... Estudei a astrologia, o tarô, e descobri em todos estes sistemas um canal para a expressão do self. Li e me emocionei com as vidas dos santos, que em seus modos particulares e verdadeiros, buscavam realmente a imitatio Christi – a imitação de Cristo. Admirei profundamente o caminho da individuação proposto por Carl Jung, e seu livro “Resposta a Jó” me tocou sobremaneira. A narração do embate entre Jó e Javé me marcou, principalmente quando Jung interpreta ter sido este o momento em que Javé resolve encarnar-se como Cristo, para conhecer aquele humano que havia criado. Pela primeira vez alguém afirmava, contrapondo-se a Maslow, que para além da auto-realização, havia um gatilho intrínseco ao ser humano, que é a busca da transcendência. Simpatizei com a idéia do Super-Homem de Nietzsche. Com o mitólogo Joseph Campbell eu conheci as tecnologias do sagrado, que as variadas culturas empregam para entrar em contato com o transcendente. Então eu conheci o Yôga.
No Yôga eu encontrei realmente um caminho que me servia. A essência do Yôga – que significa “união” – é despertar a porção divina dentro de cada um de nós, e unir esta com a fonte, com Deus. Pela primeira vez, a divindade era algo que podia ser experimentado, de forma tão completa, tão arrebatadora, que dissolvia quaisquer dicotomias – razão, sentimento – que porventura existissem. Passei quase dois meses na Índia meditando sob supervisão de um Swami, e entrei em contato com o que conheço de mais real, a experiência estruturante que me conduz. Como na luta de Cristo com os demônios no deserto, como na meditação transcendente de Buda, ou como na preparação do profeta Maomé no exílio... acredito que o sentido, o significado, que dissolve a razão e faz da fé desnecessária, só é encontrado pelo homem no seu íntimo, pois só no seu íntimo pode o homem encontrar a Deus. Desta experiência, me surgiu renovada a certeza da multiplicidade dos caminhos, e também um profundo respeito pelas buscas sinceras de todos os seres humanos – dentro ou fora dos sistemas religiosos. Tenho e busco sempre a consciência das minhas grandes limitações, que só são mitigadas pela certeza de caminhar sempre.
Para fechar, e compartilhar convosco o sentido desta vivência pessoal, digo que acredito que dentro de cada um de nós haja este desejo latente, adormecido. Somos como os girassóis, e, embora possamos ser criados em estufas, nossa maior realização é voltar-se para a luz. A juventude nos empresta diversas bandeiras, a vida nos encarrega de afazeres, e a roda viva por vezes amortece o espírito por muito tempo. Mas eu nunca conheci uma atitude refratária para com o numinoso que se sustentasse para sempre. A ignorância pode ser às vezes uma bênção, mas só a verdade traz a libertação."
Obrigado.
"Eu gostaria de, inicialmente, agradecer ao Miguel, Fábio e Amanda pelo convite, para falar a vocês em tão ilustre companhia. Eu já dei palestras sobre muitos assuntos, mas é a primeira vez em que sou convidado para falar sobre Razão e Fé. Exatamente por ser novidade para mim, percebi que nunca havia refletido a respeito dessa aparente contradição, quase um oximoro. Eu peço desculpas pelo tom excessivamente pessoal, uma vez que estarei falando a vocês a partir da minha experiência.
O fato é que nunca, em minha vida, Razão e Fé se contrapuseram. A bem da verdade, nem possuo conhecimento – que não seja intelectual - do que seja “Fé”, ao menos na acepção mais comum da palavra. Parece-me que eu sempre “soube”, sempre percebi, desde a mais tenra idade, a presença do numinoso. Crer, ou ter fé, para mim, é uma atitude sobre algo de que não sabemos, de que não temos certeza. Como se diz de São Tomé, que precisou “ver para crer”. E essa percepção, tão atávica, do transcendente, imprimiu em minha alma uma busca pela verdade, pelo conhecimento racional – daquilo que sempre foi intimamente sentido. Se pudéssemos tentar encontrar uma outra pretensa dicotomia que melhor descrevesse minha experiência, esta seria entre a busca do entendimento racional sobre tudo aquilo que de outro modo, eu já sentia. Entre a razão e a sensação. Razão e sentimento.
Durante a infância estas questões estiveram parcialmente adormecidas, mas após a adolescência, rejeitei instintivamente o dogmatismo da educação católica que recebi. Ora pois, a doutrina se intercedia entre meu sentido de sagrado e a minha razão, de forma totalmente artificial. Toda a moral cristã já existia internamente no meu âmago, como ética humana. Por outro lado, os defeitos e a auto-indulgência daqueles que se colocavam como apóstatas de um Deus – que ganhou nome e história – me soavam contraditórios. Parecia a mim, naquela época, que o caminho do cristão era a busca de uma suposta “salvação” de um intangível pecado original, enquanto eu queria ser salvo da ignorância (da falta de conhecimento a respeito) de Deus; essa sim, a fonte de todo o mal. Os “pecados” de que falavam, eram banais, existiam em profusão, cotidianamente, e nada originais. E o que mais me incomodava eram a passividade e comodidade no aceite da condição humana com todas as vicissitudes, porque havia um Deus ao final para “redimir”, para perdoar. O caminho dos cristãos era, para mim, radicalmente diferente da real experiência de Cristo.
Na universidade, flertei com um novo Deus. O Deus da ciência, que era elegante e abstrato, e completamente indiferente às questões humanas. Entre nós, engenheiros, era mesmo considerada primitiva a idéia da religiosidade. A ciência explicava tão bem todas as coisas e ainda operava em um sistema auto-referente que lhe foi concebido de forma a invalidar todos os outros. Mas aquele meu Deus-sentido ainda assim, dava a tudo, sentido... fosse na beleza transcendente da matemática, ou nas entranhas da física quântica... ele estava lá. Quanto mais percebia o universo sob a ótica da racionalidade, mais evidente era para mim que o universo é fruto de uma inteligência superior. E ao sair da universidade, estava mais uma vez em crise, pois embora tivéssemos exemplos de cientistas profundamente religiosos e ainda assim respeitados, como Einstein, ainda assim se buscava expurgar esta “variável” divina e creditá-la a alguma propriedade ainda não conhecida da matéria e energia. O fato é que quanto mais chafurdamos nos domínios subatômicos, mais se percebe a consciência divina que permeia toda a matéria. Eu mesmo acredito que algum dia a ciência ainda vai nos aproximar do conhecimento de Deus. Na faculdade, participei de uma pastoral universitária e o trabalho para o bem do próximo era algo que me reconciliava com a religião católica. Mas a minha verdade ainda estava por ser encontrada.
Formei-me em crise e esta crise me colocou de novo no caminho da busca... cada vez mais fervilhante, cada vez mais necessária. Nessa busca visitei terreiros de umbanda, centros espíritas, mosteiros budistas; participei de workshops com vivências transpessoais, e em todos estes lugares eu encontrava – principalmente – o homem, perigosamente inflado pelos arquétipos de divindade. Mudavam os sistemas, as cosmogonias, as entidades, mas no fundo eu percebia que o belo desconforto que nos leva a buscar a luz, por vezes se dissolve nos grupos humanos, e troca-se o desejo da verdade pela ilusão do pertencimento. Infelizmente, este conforto não me servia. Então li tanto quanto se podia, a respeito de todos os caminhos que se me apresentavam... Estudei a astrologia, o tarô, e descobri em todos estes sistemas um canal para a expressão do self. Li e me emocionei com as vidas dos santos, que em seus modos particulares e verdadeiros, buscavam realmente a imitatio Christi – a imitação de Cristo. Admirei profundamente o caminho da individuação proposto por Carl Jung, e seu livro “Resposta a Jó” me tocou sobremaneira. A narração do embate entre Jó e Javé me marcou, principalmente quando Jung interpreta ter sido este o momento em que Javé resolve encarnar-se como Cristo, para conhecer aquele humano que havia criado. Pela primeira vez alguém afirmava, contrapondo-se a Maslow, que para além da auto-realização, havia um gatilho intrínseco ao ser humano, que é a busca da transcendência. Simpatizei com a idéia do Super-Homem de Nietzsche. Com o mitólogo Joseph Campbell eu conheci as tecnologias do sagrado, que as variadas culturas empregam para entrar em contato com o transcendente. Então eu conheci o Yôga.
No Yôga eu encontrei realmente um caminho que me servia. A essência do Yôga – que significa “união” – é despertar a porção divina dentro de cada um de nós, e unir esta com a fonte, com Deus. Pela primeira vez, a divindade era algo que podia ser experimentado, de forma tão completa, tão arrebatadora, que dissolvia quaisquer dicotomias – razão, sentimento – que porventura existissem. Passei quase dois meses na Índia meditando sob supervisão de um Swami, e entrei em contato com o que conheço de mais real, a experiência estruturante que me conduz. Como na luta de Cristo com os demônios no deserto, como na meditação transcendente de Buda, ou como na preparação do profeta Maomé no exílio... acredito que o sentido, o significado, que dissolve a razão e faz da fé desnecessária, só é encontrado pelo homem no seu íntimo, pois só no seu íntimo pode o homem encontrar a Deus. Desta experiência, me surgiu renovada a certeza da multiplicidade dos caminhos, e também um profundo respeito pelas buscas sinceras de todos os seres humanos – dentro ou fora dos sistemas religiosos. Tenho e busco sempre a consciência das minhas grandes limitações, que só são mitigadas pela certeza de caminhar sempre.
Para fechar, e compartilhar convosco o sentido desta vivência pessoal, digo que acredito que dentro de cada um de nós haja este desejo latente, adormecido. Somos como os girassóis, e, embora possamos ser criados em estufas, nossa maior realização é voltar-se para a luz. A juventude nos empresta diversas bandeiras, a vida nos encarrega de afazeres, e a roda viva por vezes amortece o espírito por muito tempo. Mas eu nunca conheci uma atitude refratária para com o numinoso que se sustentasse para sempre. A ignorância pode ser às vezes uma bênção, mas só a verdade traz a libertação."
Obrigado.
30.10.09
Todo dia tem um pouco da noite da minha vida,
Em que tempo, espaço, infinito
Não cabem, transbordam dentro de mim.
Sinto a angústia do lavrador que,
com sacas e sacas de sementes para plantar, em campos sem fim...
Queria mesmo parar e ver crescer uma única semente, sua vida inteira.
When the night comes
Jon and Vangelis
A women in your soul
Creates the man you hold
And when the night comes
When you relax with me
I'll take you in my arms
I'll make you dream
So just remember this
A kiss is just a kiss
A smile is just a smile, with you
Come to me, say you will
And like a storm I can help you feel
You must believe you hold the key
Come to me, say you will
You are divine, your body holds me tight
You can't imagine[, kiss so we'll know ** "kiss ... know" who knows?]
(Just you) I want you always
(Just you) I want you always
(Just you) I want you always
I want you always
I want you always
I want you always
A woman needs to love
A woman needs to love
A woman needs to feel alive
A woman needs her sex
A woman needs her sex
A woman needs...
Em que tempo, espaço, infinito
Não cabem, transbordam dentro de mim.
Sinto a angústia do lavrador que,
com sacas e sacas de sementes para plantar, em campos sem fim...
Queria mesmo parar e ver crescer uma única semente, sua vida inteira.
When the night comes
Jon and Vangelis
A women in your soul
Creates the man you hold
And when the night comes
When you relax with me
I'll take you in my arms
I'll make you dream
So just remember this
A kiss is just a kiss
A smile is just a smile, with you
Come to me, say you will
And like a storm I can help you feel
You must believe you hold the key
Come to me, say you will
You are divine, your body holds me tight
You can't imagine[, kiss so we'll know ** "kiss ... know" who knows?]
(Just you) I want you always
(Just you) I want you always
(Just you) I want you always
I want you always
I want you always
I want you always
A woman needs to love
A woman needs to love
A woman needs to feel alive
A woman needs her sex
A woman needs her sex
A woman needs...
23.10.09
Será que ainda se faz música tão boa?
"Five Hundred Miles", com Peter Paul and Mary.
Se bem que esta gravação aqui está mais limpa...
"Five Hundred Miles", com Peter Paul and Mary.
Se bem que esta gravação aqui está mais limpa...
7.10.09
6.10.09
E, finalmente, a música que encomendei ao Vangelis para a Anita:
Deborah
Jon And Vangelis
I read your letter, I got it just the other day...
You seem so happy, so funny...how time melts away
It's such a pleasure, to see you growing
And how you sending your love to the air today
I think of Heaven...each time I see you walking there
And as you're walking, I think of children everywhere
It's in your star sign...you growing stronger
I can't believe you...so good to care
Thru enchantment, into sunlight
Angel's touch...your eyes...
Your highness...electric...so surprise
Is this your first life...?
It seems as though you have lived before
You help me hold on...
You have a heart like an open door
You sing so sweetly...my love adores you
She does, she's thinking of you right now
I know...
The summer's coming...
I'll keep in touch so you're not alone
Then like the swallow, you'll fly away like birds have flown
So let me tell you...how much I Love You
I'd make the songbirds sing... for you again...
Well now it's goodnight...
Sweet Angel...read this letter...
Well...
Deborah
Jon And Vangelis
I read your letter, I got it just the other day...
You seem so happy, so funny...how time melts away
It's such a pleasure, to see you growing
And how you sending your love to the air today
I think of Heaven...each time I see you walking there
And as you're walking, I think of children everywhere
It's in your star sign...you growing stronger
I can't believe you...so good to care
Thru enchantment, into sunlight
Angel's touch...your eyes...
Your highness...electric...so surprise
Is this your first life...?
It seems as though you have lived before
You help me hold on...
You have a heart like an open door
You sing so sweetly...my love adores you
She does, she's thinking of you right now
I know...
The summer's coming...
I'll keep in touch so you're not alone
Then like the swallow, you'll fly away like birds have flown
So let me tell you...how much I Love You
I'd make the songbirds sing... for you again...
Well now it's goodnight...
Sweet Angel...read this letter...
Well...
A música que eu encomendei ao John Lennon para o Theo:
John Lennon - Beautiful Boy (Darling Boy)
Close your eyes,
Have no fear,
The monsters gone,
He's on the run and your daddy's here,
Beautiful,
Beautiful, beautiful,
Beautiful Boy,
Before you go to sleep,
Say a little prayer,
Every day in every way,
It's getting better and better,
Beautiful,
Beautiful, beautiful,
Beautiful Boy,
Out on the ocean sailing away,
I can hardly wait,
To see you to come of age,
But I guess we'll both,
Just have to be patient,
Yes it's a long way to go,
But in the meantime,
Before you cross the street,
Take my hand,
Life is just what happens to you,
While your busy making other plans,
Beautiful,
Beautiful, beautiful,
Beautiful Boy,
Darling,
Darling,
Darling Sean.
John Lennon - Beautiful Boy (Darling Boy)
Close your eyes,
Have no fear,
The monsters gone,
He's on the run and your daddy's here,
Beautiful,
Beautiful, beautiful,
Beautiful Boy,
Before you go to sleep,
Say a little prayer,
Every day in every way,
It's getting better and better,
Beautiful,
Beautiful, beautiful,
Beautiful Boy,
Out on the ocean sailing away,
I can hardly wait,
To see you to come of age,
But I guess we'll both,
Just have to be patient,
Yes it's a long way to go,
But in the meantime,
Before you cross the street,
Take my hand,
Life is just what happens to you,
While your busy making other plans,
Beautiful,
Beautiful, beautiful,
Beautiful Boy,
Darling,
Darling,
Darling Sean.
Música que encomendei ao Supertramp para a Karina...
Let me tell you what I want to say
You're the only one who can make me feel this way
My kind of lady
No better love could I embrace
No better heart, no other face
Can quite compare with you
You came along and then you mend my broken dreams
I was so down and then as foolish as it seems
You gave me your affection
Yeah baby you came through
Well make it you'll see
In spite of those who say its wrong
This time we feel that we belong
Now we can truly say
Well be together and that's all well ever need
Well love each other, that's the way its gonna be
And nothing under the sun of moon
Can make us be apart
Oh my honey
You know Ill love you every day
When things go wrong well find a way
Im so glad I met you
Much more than I can ever say
Were making plans and holding hands just like before
Well try again, well make amends along the road
Its felling good, just like it should, this time we know
Well share each other's happiness for now and evermore
I've been wasting my life away
I've got a message for you today
To tell you that you are
My kind of lady
I'm not the same since I met you
All of my dreams had fallen through
And then you came along
One magic night when things went right it was so fine
Looked in your eyes and realized that you were mine
And nothing under the sun of moon
Can make us be apart
Oh my baby
You know Ill love you all the way
When times get hard well smile and say
I'm so glad I met you
Ill love you more and more each day
Were making plans and holding hands just like before
Well try again, well make amends along the road
Its felling good, just like it should, this time we know
Well share each other's happiness for now and evermore
Let me tell you what I want to say
You're the only one who can make me feel this way
My kind of lady
No better love could I embrace
No better heart, no other face
Can quite compare with you
You came along and then you mend my broken dreams
I was so down and then as foolish as it seems
You gave me your affection
Yeah baby you came through
Well make it you'll see
In spite of those who say its wrong
This time we feel that we belong
Now we can truly say
Well be together and that's all well ever need
Well love each other, that's the way its gonna be
And nothing under the sun of moon
Can make us be apart
Oh my honey
You know Ill love you every day
When things go wrong well find a way
Im so glad I met you
Much more than I can ever say
Were making plans and holding hands just like before
Well try again, well make amends along the road
Its felling good, just like it should, this time we know
Well share each other's happiness for now and evermore
I've been wasting my life away
I've got a message for you today
To tell you that you are
My kind of lady
I'm not the same since I met you
All of my dreams had fallen through
And then you came along
One magic night when things went right it was so fine
Looked in your eyes and realized that you were mine
And nothing under the sun of moon
Can make us be apart
Oh my baby
You know Ill love you all the way
When times get hard well smile and say
I'm so glad I met you
Ill love you more and more each day
Were making plans and holding hands just like before
Well try again, well make amends along the road
Its felling good, just like it should, this time we know
Well share each other's happiness for now and evermore
Drummond: dos clássicos...
Apenas porque ainda não o tinha aqui.
Sentimento do mundo
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer
esse amanhecer
mais noite que a noite.
Apenas porque ainda não o tinha aqui.
Sentimento do mundo
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer
esse amanhecer
mais noite que a noite.
25.9.09
Álvaro de Campos (a.k.a. Fernando Pessoa)
O Que Há
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
O Que Há
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
10.9.09
How You Gonna See Me Now
Alice Cooper
Dear darlin' surprised to hear from me?
Bet you're sittin' drinkin' coffee, yawnin' sleepily
Just to let you know
I'm gonna be home soon
I'm kinda awkward and afraid
Time has changed your point of view
How you gonna see me now
Please don't see me ugly babe
'Cause I know I let you down
In oh so many ways
How you gonna see me now
Since we've been on our own
Are you gonna love the man
When the man gets home
Listen darlin' now I'm heading for the west
Straightened out my head but my old heart is still a mess
Yes I'm worried honey
Guess that's natural though
It's like I'm waiting for a welcome sign
Like a hobo in the snow
How you gonna see me now
Please don't see me ugly babe
'Cause I know I let you down
In oh so many ways
How you gonna see me now
Since we've been on our own
Are you gonna love the man
When the man gets home
And just like the first time
We're just strangers again
I might have grown out of style
In the place I've been
And just like the first time
I'll be shakin' inside
When I walk in the door
There'll be no place to hide
How you gonna see me now
please dont see me ugly, babe
'cause i feel like i let you down
in oh so many ways
How you gonna see me now
Please don't see me ugly babe
'Cause I know I let you down
In oh so many ways
How you gonna see me now
Since we've been on our own
Are you gonna love the man
When the man gets home
Alice Cooper
Dear darlin' surprised to hear from me?
Bet you're sittin' drinkin' coffee, yawnin' sleepily
Just to let you know
I'm gonna be home soon
I'm kinda awkward and afraid
Time has changed your point of view
How you gonna see me now
Please don't see me ugly babe
'Cause I know I let you down
In oh so many ways
How you gonna see me now
Since we've been on our own
Are you gonna love the man
When the man gets home
Listen darlin' now I'm heading for the west
Straightened out my head but my old heart is still a mess
Yes I'm worried honey
Guess that's natural though
It's like I'm waiting for a welcome sign
Like a hobo in the snow
How you gonna see me now
Please don't see me ugly babe
'Cause I know I let you down
In oh so many ways
How you gonna see me now
Since we've been on our own
Are you gonna love the man
When the man gets home
And just like the first time
We're just strangers again
I might have grown out of style
In the place I've been
And just like the first time
I'll be shakin' inside
When I walk in the door
There'll be no place to hide
How you gonna see me now
please dont see me ugly, babe
'cause i feel like i let you down
in oh so many ways
How you gonna see me now
Please don't see me ugly babe
'Cause I know I let you down
In oh so many ways
How you gonna see me now
Since we've been on our own
Are you gonna love the man
When the man gets home
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